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Notícias censuradas por governos autoritários já poderão ser acessadas

(Transcrição da matéria, do mesmo autor, no blog "Formou? Disseca e Publica!")

 

Notícias censuradas por governos autoritários já poderão ser acessadas

Finalmente, uma boa notícia para os defensores da liberdade de expressão: a ONG internacional "Repórteres Sem Fronteiras" anunciou a criação de um site especializado em publicar notícias censuradas por governos autoritários em todo o mundo. Para tanto, dispõe de uma equipe de 150 repórteres espalhados em 5 continentes e meios próprios de proteção das informações. E para melhorar, aceita também contribuições anônimas, enviadas por qualquer pessoa, bastando que sejam relevantes e que possam ser checadas, antes de serem publicadas.
 
É sabido que mesmo quando disfarçados de "democráticos", muitos países censuram, boicotam, criam embaraços ou proíbem a circulação de notícias contrárias aos seus governos. Exemplos não faltam, inclusive na América do Sul (vide casos Chavez, na Venezuela e Cristina Kirchner, na Argentina, para só falar dos mais recentes).
 
E o Brasil não fica muito atrás, só que aqui eles costumam usar o termo "blindagem", que significa proteger o alvo das notícias, geralmente quando esse alvo é da equipe do governo, não importando se em nível, federal, estadual ou municipal. Governos que deveriam proteger seus cidadãos e proporcionar-lhes segurança e melhores condiçõesde vida, usam o poder em proveito próprio, enganando a população com falsas informações e encobrindo as que lhes são prejudiciais. Felizmente, nem sempre conseguem, mas perseguem este objetivo veladamente, declarando-se a favor da liberdade de imprensa.
 
No Brasil, notícias sobre gastos com obras públicas, escândalos políticos, nepotismo, agressão ao meio ambiente, doações em campanhas eleitorais, conluios para aprovação de projetos, evasão de divisas e entreguismo costumam ser blindadas. O que se consegue saber sobre a exploração do nióbio brasileiro? E sobre os bastidores da aprovação dos faraônicos projetos da transposição do Rio São Francisco e da contrução elefante branco da Usina de Belo Monte? Claro que nem tudo consegue ficar escondido e as notícias acabam vazando, mas o que se consegue descobrir, quando se consegue, é uma ínfima parte do real e, por serem revelações tardias, fica quase impossível impedir ou corrigir os desmandos.
 
Mais um exemplo, num nível inferior, o estadual: o governo do Estado de Tocantins, em julho deste ano, tentou impedir a circulação de 8 mil exemplares da revista Veja, mandando 30 policiais militares ao aeroporto, para apreender os exemplares da revista, que traziam denúncias contra o governador Carlos Gaguim (PMDB) e o procurador-geral do Estado, Haroldo Rastodo, acusados de integrarem uma organização criminosa para fraudes em licitações públicas. E isto (pasmem!) amparados em decisão de um desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, que proibia a veicualação de qualquer notícia referente ao assunto. A justificativa? A de que a investigação corria em "segredo de justiça". Só que este entendimento é equivocado, pois o "segredo de justiça" não se aplica aos órgãos de comunicação e a norma só é restritiva para os órgãos públicos, segundo o entendimento do juiz Marlom Reis, um dos coordenadores do Movimento de Combate à Corrupção. Então, o que de fato ocorreu com a Justiça Eleitoral no Tocantins? Rendeu-se ao Poder Executivo Estadual ou...
 
Por tudo o que se viu, veio em boa hora a criação do site Nós Combatemos a Censura (We Fight Censorship), do portal da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Segundo o jornal O Estadão, "Christophe Deloire, diretor-geral da RSF, define o site como "um instrumento de dissuasão", para forçar os governos autoritários a respeitar a liberdade de informação, "que é a liberdade que possibilita a existência de todas as outras". Ele explica sua missão: "Queremos demonstrar que prender o autor de um artigo, confiscar os exemplares de um jornal ou bloquear o acesso a um site de vídeos não evitará que o conteúdo em questão dê a volta ao mundo."
Que assim seja e que não se permita que este site sofra as mesmas pressões que sofreu o WikiLeaks. Quem desejar, já pode acessar o site We Fight Censorship, clicando no link abaixo (o site está em inglês, mas permite a tradução para o português). O site já está no ar e recebendo colaborações de qualquer parte do mundo. Que tal vermos lá umas ums notícias brasileiras?
 

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Tags: Repórteres Sem Fronteiras, We Fight Censorship, censura, governos, liberdade de imprensa, política brasileira

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